“Certo artesão morava em uma linda praia, uma vila de pescadores aconchegante. Seu sustento vinha da criatividade de suas mãos. Um dia resolveu que a areia que embelezava o verde do mar seria o seu novo desafio. Resolveu fazer como os grandes artistas: um auto retrato.

Pela manhã, juntou todo o material necessário e deu início a obra. Quase que num trabalho ininterrupto, no fim da tarde, terminou o que para ele fora sua melhor arte. Não por ele estar ali representado, mas por toda sua técnica e habilidade acumulada sendo superada. Uma obra-prima, disseram os espectadores. Após contemplar o novo, o artesão foi para casa descansar desse dia marcante.

Acordara cedo no outro dia e, após o corre-corre matinal, voltou ao local de seu feito. Um susto! Seu auto retrato estava desconfigurado. Então, pôs-se a ajeitar. Outra tarde se foi, remodelando e ajeitando as imperfeições. A noite chegou e ali estava mais uma vez à obra-prima.

No dia seguinte, cuidou para que pudesse contemplar sua imagem. Novamente estava desconfigurada e teve que trabalhar mais uma vez nela. Dessa forma, foi no outro dia e também no outro. E, assim, todos os dias, até que em um deles, após tê-la deixada perfeita novamente, veio a maré e a levou por completa. Esse foi o dia mais feliz, pois a areia tinha voltado de onde viera.”

Quando encontramos com Deus e sentimos o Primeiro Amor, vemos que somos à Sua Imagem e nos reconhecemos filhos Dele, do mesmo modo que o auto retrato finalizado, perfeito. Contudo, o chamado a conversão, esse reconhecimento, tem que ser diário. Assim, como o artesão, temos que trabalhar arduamente para manter o que somos chamados a ser: um Cristo na terra. Não importa quanto tempo será, temos que estar prontos para quando o Pai nos chamar para perto Dele novamente, do mesmo jeito que a areia voltou para o mar.

Como você quer retornar para o Céu, esse lugar que é tua casa e de teu Pai?

 

Carlos Henrique Bezerra
Membro da Comunidade Católica Mãos de Pai