Atendendo ao apelo de Deus, por meio de um chamado específico no seio da Igreja, sentimo-nos conduzidos a manifestar, a partir de nossa caminhada e de nosso desejo de santidade, a experiência com o cuidado de Deus, no anúncio de Sua paternidade e da ação de Sua misericórdia no mundo.


Queremos atualizar a mensagem de amor a que Jesus veio revelar ao mundo. Seus ensinamentos trazem como essência o plano de amor do Pai, hoje não mais priorizado e reconhecido nas sociedades.

Comprometidos com a Igreja de Cristo, Católica Apostólica Romana, queremos, com a força do Espírito, deixar que em nós sejam transfiguradas as Mãos de Deus, para que, através das práticas de misericórdia, o mundo possa proclamar que Deus é Pai (Mt 23,9).

O caminho para revelar a mística da paternidade de Deus no mundo, dar-se-á plenamente por meio de um carisma todo especial; o retorno à pequenez (Mc 10, 14-16). Somente um verdadeiro “coração de criança” consegue sentir a ação do Amor do Pai, enxergar a simplicidade com que Ele se move e se comove no seio da humanidade, para assim manifestar a Sua glória.

O Pai doou Seu próprio Filho por amor à humanidade. O Filho se doou livremente para fazer a vontade do Pai. O Espírito se derramou na doação de Seus dons, para que os homens pudessem doar a própria vida, no amor a Deus e aos irmãos. Nosso Deus-doação nos inflama por meio da entrega e do serviço. No compromisso com a Sua Igreja, Ele nos pede mãos que cuidem e que se doem permanentemente aos irmãos.

Jesus nos revelou o Amor de um Pai, que na Simplicidade deseja nos conduzir a plena alegria. A Simplicidade de um Deus que se deixa tocar por nós e que, sem complicações, faz-se compreensível em Seu amor, deve nos conduzir também para a prática do amor espontâneo, revestido de naturalidade, de ingenuidade, de modéstia e de pureza. Ser simples é sobretudo ser pobre, casto e obediente como Jesus.

Muitas vezes temos dificuldades de enxergar a Deus como Pai. Por séculos a humanidade absorveu a idéia de um Deus Pai “Castigador”; “Incansável Observador da Lei” e “Juiz Implacável”. Também a experiência com um pai biológico pouco amoroso ou severo, fez com que muitas pessoas projetassem em Deus uma destorcida figura de pai.

Jesus vem nos apresentar a figura de um pai que ultrapassa todos os estereótipos possíveis; ninguém jamais conseguiria ser pai como Deus. Ele nos fala do Pai com a autoridade de quem, por excelência, conhece e experimenta de Seu Amor.

Jesus nos revela o Pai (Hb 1, 1-2). Ele é rico em misericórdia (Lc 15, 20), capaz de tudo perdoar (Lc15, 21s), tudo esquecer, tudo recomeçar, oferecendo-nos sempre novas oportunidades. De um modo muito especial, Ele sempre festeja com os Seus, o retorno de um filho (Lc 15, 24).

Amar o Pai significa ser e amar como Jesus no mundo: “Jesus revelou, sobretudo com Seu estilo de vida e com Suas ações, como está presente o amor no mundo em que vivemos, o amor operante, o amor que se dirige ao homem e abraça tudo aquilo que forma sua humanidade. Tal amor torna-se notório especialmente em contato com o sofrimento, a injustiça, a pobreza, em contato com toda a ‘condição humana’ histórica, que de vários modos manifesta as limitações e a fragilidade, tanto físicas como morais, do homem. Precisamente o modo e o âmbito em que se manifesta o amor são chamados na linguagem bíblica ‘misericórdia’”. (DIVES IN MISERICÓRDIA)

 


Para que possamos anunciar ao mundo a paternidade de Deus (Lc15, 11-32), somos chamados antes à experiência de mergulhar nas entranhas de Seu amor misericordioso (Os11, 1-9). Perdidos neste abismo insondável de misericórdia (Jo19, 34), seremos inevitavelmente conduzidos à graça do abandono (Sl 23(22), 2), numa entrega irresistível.

Para que isso se torne real, precisamos levar ao mundo uma experiência de amor que transborde do testemunho, e não somente das palavras: “Só os amados podem amar. Só os livres podem libertar. Só os puros purificam, e só podem semear a paz os que a possuem”. (LARRAÑAGA: 2003)