A solidão, tecida no silêncio, faz descobrir mais uma vez a novidade do Amor. Ela é o momento de síntese, re-união, encontro. Agora tudo em nós é gratuidade e verdade. Nesse espaço emerge toda a nossa liberdade, libertada pelo silêncio que nos faz conhecer as raízes do Amor. Somos todo intimidade. Aqui não há lugar para a farsa, para a trapaça. A intimidade revela a verdadeira identidade do ser humano. Colocados diante de nós mesmos, a solidão nos conduz para além de nós mesmos, nos fazendo viver a partir da raiz, da Fonte mesma da vida. Do silêncio que exprime amor brota à luz que aponta o caminho da interioridade: do “para além de nós mesmos”. Este caminho só pode ser percorrido pela pessoa enquanto ela se encontra só. Ninguém pode percorrer por ela. A solidão, planificada na intimidade consigo mesmo e com Deus: cria uma consistência interior que solidifica opções, valores, atitudes de vida; dá segurança e firmeza nas convicções e nas decisões, fidelidade aos princípios fundamentais; faz carregar dentro de si esperanças duradouras capazes de transformar realidades mesquinhas; nutre confiança em si mesmo: daqui brota a criatividade, a busca do "novo", a aventura... Uma pessoa sem solidez se afoga na banalidade, se perde na superficialidade, não leva adiante projetos de fôlego... Uma pessoa superficial "passa" sem deixar rastro. A solidão e a solidez, tecidas no silêncio, nos conduzem à morte de nós mesmos para que sejamos totalmente abertura e transcendência no outro e para o outro; fazem-nos descobrir a novidade do Amor e nos abrem para a solidariedade. É o resultado de ultrapassar todas as alienações. Temos agora a completa posse de nós mesmos porque já não nos possuímos mais. Estamos salvos porque nos perdemos. No espaço ilimitado de nossa interioridade tudo é maravilha. O mergulho em si mesmo, para além de si mesmo, opera a metamorfose que nos devolve à vida transfigurados pelo Amor que nos habita e planifica. |
|||||||||||||||
|
|||||||||||||||