ORAÇÃO PESSOAL – OLARIA 12
O PERDÃO QUE NOS RECRIA

CHAVE: “O Senhor, como é Deus, não dorme nunca, claro! perguntou o repórter.Nunca! respondeu Deus.E a quê se dedica todo esse tempo livre? Lê? Pensa? Ouve música? - perguntou o repórter. Perdôo! respondeu Deus”.

No princípio era a Misericórdia. Por ela fomos criados:
 - vir à vida foi fruto de Amor em excesso; fomos criados por um gesto misericordioso; fomos feitos por mãos misericordiosas; idealizados por uma mente misericordiosa; amados por um coração misericordioso. Aqui estamos no coração da mensagem cristã, porque está em jogo uma imagem de Deus:  é a imagem de um Pai cuja alegria é perdoar (só Deus podia “inventar” o perdão);  o Perdão faz com que Deus manifeste a plenitude de sua paternidade e permite ao ser humano sentir-se filho de Deus;

 

-“Misericórdia é compaixão suscitada pela miséria alheia” (Aurélio); Misericórdia é exatamente “ter coração” voltado para o outro; a Misericórdia parte das “entranhas” de Deus e se dirige ao ser humano pecador e pobre na forma de ternura, compaixão, empatia...

           O perdão do Pai faz aparecer a verdade mais profunda de nós mesmos, nos faz recuperar uma estima radical que elimina todas nossas sensações de inferioridade. Antes de tudo, o perdão nos revela nossa culpa e, ao mesmo tempo, nossa dignidade. Faz-nos compreender nosso erro, mas é também mensagem eficaz de estima e de confiança: ao reconciliar-nos, Deus confia em nós e nos torna novamente dignos de seu Amor.
 

O milagre é exatamente esse: poder reconhecer a própria culpa e permanecer serenos, descobrirem-se pecadores sem desesperar-se e deprimir-se, sentirem-se positivos porque perdoados, dignos de estima porque reconciliados. Quando o Pai nos perdoa, não nos desculpa simplesmente nem minimiza nosso erro, e muito menos o ignora ou apenas cancela, fingindo talvez que nada tenha acontecido. Seu perdão é ato criativo e redentivo: continua a criar em nós um coração novo. Perdoar é recriar. Deus recria-nos a cada instante. Cada dia que passa é um perdão sempre novo, pessoal, criativo, mas também discreto e silencioso. Vivemos mergulhados na Misericórdia. Quem se sente pouco perdoado não pode ser uma pessoa reconciliada. Não é verdadeira a reconciliação com o Pai que não passa através da reconciliação com o próprio eu.

 Enquanto não houver uma “experiência” plena do perdão, o pecado ou o medo do pecado continuarão a perturbar nosso presente e a deformar o passado, tornando-nos inimigos da vida. O perdão que nos vem do Pai, pelo contrário, nos reconcilia com a nossa história, não somente com Deus; faz-nos descobrir não simplesmente o nosso mal, mas  também o nosso bem; é festa, não somente penitência... No coração do nosso passado há uma presença de Deus a descobrir ou um seu projeto a decifrar, presença e projeto que passam através também do nosso mal e suscitam o bem. Na vida de toda pessoa existe esse bem.

Se o perdão é conhecer o Amor, a reconciliação com a vida será um contínuo reencontrar e reconhecer os seus sinais. E então a nossa história nos aparece sempre mais como uma grande sinfonia maravilhosa - de bondade, ternura, misericórdia, gratuidade, compreensão...
GRAÇA: Pai, que o Espírito de Amor me revele o Teu rosto compassivo, manifestado pelo Teu Filho Jesus.
PÃO: Lc 7,36-50
TENDA: “Misericórdia é compaixão suscitada pela miséria alheia”
TRILHA: Está conseguindo falar com o Senhor abertamente sobre seus pecados?