ORAÇÃO PESSOAL– OLARIA 18

“Fala Senhor, que teu servo escuta.“

CHAVE - Se ”vocação“ é antes de tudo chamado de Deus, a primeira atitude só pode ser descrita como escuta. Aquele que procura reconhecer sua vocação, só pode dizer como Samuel: “Fala Senhor, que teu servo escuta. “(1 Sm 3,10). Um discernimento em clima de escuta da Palavra de Deus, de comunicação de vida profunda, de oração intensa e constante, de diálogo sincero com Deus, é o clima para a resposta. Vivemos num mundo marcado por ruídos externos e internos. Carregamos o ruído dentro de nós: em nosso corpo (tensões, pressas, nervosismos...), em nossa mente (confusão mental, perturbação...), em nossa afetividade (sentimentos negativos, feridas, tristeza, angústia...).

Também a nossa oração segue o ritmo dos ruídos... Passa a ser não uma oração de escuta, mas um ”falatório interior“, onde Deus não tem como manifestar sua voz. Deus não faz ruído! É Preciso um coração atento, em silêncio para ouvi-lo. Urge "fazer deserto" no coração: imprescindível para se optar, para se decidir. Fazer deserto é entrar no coração, ficar aí e escutar, porque o coração não nos engana, uma vez que o próprio Deus está no fundo de nosso ser. E no coração se exige silêncio, disponibilidade, contemplação. Este é o caminho sério para se ver, para se descobrir o plano de Deus na vida. Acontece, normalmente, que o coração se vê invadido por um monólogo interior carregado de auto-reprovações, censura, exigências, críticas que se faz em função da auto-imagem.
 

A oração se converte em algo incômodo e hostil; ela passa a ser o lugar do "deveria", "teria"... Desta maneira, a pessoa não se situa corretamente na presença de Deus e nem se relaciona sadiamente consigo mesma. Daí a necessidade, primeiramente, de silenciar o ruído-nocivo, o ruído-obstáculo...

                 Através da "escuta amorosa", ou seja, uma atitude positivamente amorosa para consigo mesmo, sentimo-nos valioso aos olhos de Deus, sem julgamentos. Esta "escuta amorosa" é a base para uma sadia oração. Só assim, sem defesas e juízos, brotará sua palavra, seu silêncio, sua escuta... Entrar neste contato amoroso na oração pessoal é deixar transparecer a ação de Deus criador, libertador, vendo a si mesmo como fruto da criação amorosa de Deus.
 

 A "escuta amorosa" de si mesmo conduz à "escuta comprometida" do Deus da Vida. Precisamos do silêncio. Precisamos viver no silêncio e a partir do silêncio: silêncio pleno, transparente, transformante, comprometedor, que nos revela Deus e "toca" o mistério de nossa vida...

 
Se quisermos continuar aprofundando no descobrimento de toda a riqueza de nosso ser e da presença do Senhor no nosso coração, temos que descobrir o silêncio. Só na quietude, silêncio e harmonia do seu corpo, da sua mente e do seu coração chegará a aflorar sua autêntica e verdadeira realidade, chegará a refletir a imagem de Deus que você é. Por isso o silêncio é vazio e plenitude, ser e transparência, obscuridade e mistério. O silêncio e a escuta interior dispõem a pessoa para a resposta. Mais ainda: essa atitude harmoniosa já é resposta, porque ela faz Deus presente em seu coração. A vida não muda; faz-se outra, imensa, forte e silenciosa; próxima e amorosa... Chegou à hora em que a vida cala e o silêncio fala. "Deus não fala ao homem enquanto este não consiga estabelecer o silêncio dentro de si mesmo".
 

GRAÇA - Senhor, ensina-me a silenciar para escutar tua Palavra.
PÃO - 1 Sm 3,1-10
TENDA - A "escuta amorosa" de si mesmo conduz à "escuta comprometida" do Deus da Vida.
TRILHA - Como você se sentiu na oração?