CHAVE - “E, no entanto, Javé, Tu és o nosso Pai, nós somos a argila e Tu és o nosso oleiro; todos nós somos obras das tuas mãos” (Is 64,7)
O cego de nascimento não tem experiência da luz; nem sequer sabe o que é a luz. Era mendigo: pedia esmola sentado; ficava imóvel, impotente, dependente dos outros. Jesus vê na cegueira uma ocasião para a manifestação da atividade salvífica de Deus. As obras que Deus realiza consistem em libertar o homem de sua inatividade e dar-lhe capacidade de ação.
“Enquanto é dia, temos de realizar as obras d’Aquele que me enviou” (Jo 9,4)
Jesus passa à ação. Não consulta ao cego se ele quer ser curado, pois sendo cego de nascimento, não sabe o que é a luz e nem pode desejá-la. Mas Jesus não lhe tira a liberdade. Vai colocar-lhe diante dos olhos o Projeto de Deus sobre o ser humano. A decisão de recuperar a vista fica nas mãos do cego: ele terá que ir, por sua própria iniciativa, lavar-se na piscina. Jesus faz barro com sua saliva. Há um elemento da natureza (terra) e um elemento que é próprio de Jesus (saliva). Pensava-se que a saliva transmitia a força ou energia vital da pessoa. A saliva, como a água, é necessária para fazer o barro, resultado da mistura de ambos os elementos. Percebe-se claramente a intenção do Evangelista: fazer barro com a saliva significa a criação do homem novo, composto da terra/carne e da saliva/Espírito de Jesus. O barro refere-se à criação do homem. |
Com o uso do barro, Jesus reproduz simbolicamente a criação do homem. O seu “amassar o barro” prolonga o sexto dia da criação: Jesus continua criando o homem. Com o gesto de “ungir os olhos com o barro” Jesus recria o homem, reconstrói o “vaso quebrado”. O barro modelado com o Espírito é o Projeto de Deus realizado, cujo modelo é o próprio Jesus.
Ao ungir-lhe os olhos, Jesus convida o cego a ser homem “acabado”, reconstruído, restaurado... Mas a cura não acontece automaticamente: o cego tem que aceitar a luz e optar livremente por ela. A opção se manifesta no fato de ir à piscina, de caminhar livremente, de poder sair do seu lugar...
O cego seguiu as instruções, recuperou a vista e atingiu a integridade humana. Agora ele poderá dar orientação à própria vida; não dependerá mais que os outros o conduzam. Jesus, ao dar-lhe a vista, deu-lhe mobilidade e independência. Trata-se de um morto que recebeu vida, oprimido que recebeu liberdade.
“Eu Javé, chamei você para a justiça, tomei-o pela mão, modelei-o e lhe dei forma, e o coloquei como aliança de um povo e luz para as nações. Para você abrir os olhos dos cegos, para tirar os presos da cadeia, e do cárcere os que habitam nas trevas” (Is 42,6-7)
A reação das pessoas (parentes, vizinhos...) manifesta a novidade que o Espírito produz: sendo o mesmo, é outro. É a diferença entre um homem sem iniciativa e sem liberdade e o homem livre. O que era cego revela a nova identidade do homem reconstruído pelo Espírito. Ele agora é um ungido, encontrou-se a si mesmo: “Ele afirmava: sou Eu”. |
GRAÇA - Senhor faz meu coração chorar pelos meus pecados e que chorem também os meus olhos.
PÃO - Jo 9,1-12
TENDA - Percebe-se claramente a intenção do Evangelista: fazer barro com a saliva significa a criação do homem novo, composto da terra/carne e da saliva/Espírito de Jesus
TRILHA - O que precisa acontecer para você ser um “vaso novo”?
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