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ORAÇÃO PESSOAL – OLARIA 02
A água pode ser boa para o coração...

bolCHAVE: “... - Ah! Disse eu ao principezinho, são bem bonitas as tuas lembranças, mas eu não consertei ainda meu avião, não tenho mais nada para beber, e eu seria feliz, eu também, se pudesse ir caminhando passo a passo, mãos no bolso, na direção de uma fonte!
 -Tenho sede também... procuremos um poço... Eu fiz um gesto de desânimo: é absurdo procurar um poço ao acaso, na imensidão do deserto.
·No entanto, pusemo-nos a caminho. Já tínhamos andado horas em silêncio quando a noite caiu e as estrelas começaram a brilhar. Eu as via como em sonho, porque tinha um pouco de febre, por causa da sede.  As palavras do principezinho cansavam-me na memória.
 ·- Tu tens sede também? Perguntei-lhe.
 Mas não respondeu à minha pergunta. Disse apenas:
 ·- A água pode ser boa para o coração...
Não compreendi sua resposta e calei-me... Eu bem sabia que não adiantava interrogá-lo. Ele estava cansado. Sentou-se. Sentei-me junto dele. E, após um silêncio, disse ainda:

           

“- As estrelas são belas por causa de uma ”Flor” que não se vê... Eu respondi” é mesmo “e fitei, sem falar, a ondulação da areia enluarada.
- O deserto é belo, acrescentou... E era verdade. Eu sempre amei o deserto. A gente se senta numa duna de areia. Não se vê nada. Não se escuta nada. E, no entanto, no silêncio, alguma coisa irradia...
- O que torna belo o deserto, disse o principezinho, é que ele esconde um poço nalgum lugar...
Fiquei surpreso por compreender de súbito essa misteriosa irradiação da areia. Quando eu era pequeno, habitava uma casa antiga, e diziam às lendas que ali fora enterrado um tesouro. Ninguém é claro, o conseguira descobrir, nem talvez mesmo o procurou. Mas ele encantava a casa toda. Minha casa escondia um tesouro no fundo do coração...
- Quer se trate da casa, das estrelas ou do deserto, disse eu ao principezinho, o que faz a sua beleza é invisível!... E, caminhando assim, eu descobri o poço. O dia estava raiando”.(A. Saint Exupéry, O Pequeno Príncipe, pp.78-80)

O deserto, na experiência bíblica, é o lugar da passagem constante da escravidão à liberdade. O deserto é a experiência pela qual Deus faz passar Israel para que surja como povo antes de entrar na Terra Nova: tempo de purificação e de vida em marcha, peregrinos apegados somente em Deus.
No deserto Israel aprendeu a descobrir e a confiar em Deus. Longe da segurança do Egito emerge o que há no fundo de seu coração. Os profetas cantam o tempo do deserto como tempo das obras maravilhosas de Deus.
O deserto é o lugar da Aliança, escola de intimidade com Deus. Jesus, como todos os profetas, antes de entrar em missão é conduzido pelo Espírito ao deserto (Mc 1,12; Lc 4,1). Jesus recorria a esta experiência em meio à sua vida ativa: afastava-se para lugares solitários (Lc 5,16).
No deserto temos a possibilidade de reconhecer a ação de Deus em nós com outra luz e com outra força. A experiência do deserto é a de um "tempo" e "lugar" de decisão, de orientação decisiva da vida. O mestre do deserto é o silêncio. O deserto tem valor porque revela o silêncio. E o silêncio tem valor porque nos revela Deus e a nós mesmos.
Quem anda no deserto sente profundamente o que é o "nada". Foi no deserto que o povo de Israel sentiu profundamente sua pequenez e total dependência de Deus. O deserto grita o nosso nada, o deserto elimina todas as distrações, o deserto nos coloca entre a areia e o céu, o nada e o tudo, o eu e Deus. O deserto é o grande auditório para ouvir Deus.
                              "O deserto é fértil" (D. Helder).

PARA AJUDAR A REZAR:
GRAÇA – Senhor vem ao meu encontro e me acompanhe neste deserto.
PÃO- Salmo 23(22) - O Senhor é meu pastor!
TENDA: O deserto é o lugar da Aliança, escola de intimidade com Deus.  
TRILHA - Sinto vontade de fazer a experiência do deserto? Por quê?