Palavra do Fundador

VIDA FRATERNA

palavras do fundadorO Senhor nos convida a fazer uma contínua experiência fraterna. Para que nossa vivência comunitária se realize plenamente, queremos fitar nosso olhar no testemunho da primeira comunidade apostólica (At 2, 42-47). Ela nos desafia a dar passos firmes nas práticas de comunhão e de partilha.

Desejamos ser uma comunidade que se propõe a viver a excelência do Amor. Queremos ser uma comunidade de irmãos, pois somos filhos de um mesmo Pai (I Jo 3, 2). Assumir-se, portanto, filho de Deus é também assumir o outro como irmão. Como filhos de Deus, devemos promover o bem-estar no meio em que estamos inseridos (sociedade, trabalho e família), com generosidade, solidariedade e companheirismo.

Desejamos viver em unidade, partilhando de um só coração e de uma só alma, colocando tudo o que somos e o que temos em favor dos demais (At 4, 32), eliminando de nosso meio todo espírito de divisão, exclusão e intolerância (Ef 4, 4-6).

Sejamos zelosos e afetivos (Rm 12, 10). Busquemos, no entanto, cultivar relacionamentos maduros e equilibrados, sem espaço para carências, ciúmes, cobranças ou desordenações afetivas. Que nossos amigos sejam, acima de tudo, amigos íntimos de Jesus (Jo 15, 14-16). Que nenhum de nossos relacionamentos (família, amizades, namoro, noivado e casamento) seja capaz de nos roubar o lugar reservado ao amor de Deus (Lc 14, 26). Que Ele seja sempre o centro de nossas vidas.

Sejamos pessoas agradáveis. Nossa acolhida deve provocar no coração do irmão uma motivação nova; um “sentir-se em casa”. Um filho de Deus mal acolhido na Igreja pode ter dado ali sua última chance para conhecer o Pai.

O amor ao irmão deve assumir o compromisso com a sinceridade, sem fingimentos ou dissimulações (Rm 12, 9s). Ele não deve se omitir diante de erros ou de injustiças. Na correção fraterna, a verdade e a caridade devem caminhar sempre juntas.

Viver em Comunidade não é tarefa simples. Conviver com nossas misérias já nos custa muito, suportar as misérias dos irmãos, é ainda mais difícil. Por isso, o Senhor nos chama a acolher e a suportar com paciência as limitações do outro (Rm 15, 3). O nosso amor deve sempre constranger para o bem e nos fazer sair de nós mesmos.

Somos chamados a promover a paz (Mt 5, 5. 9). Sabemos, no entanto, que numa situação de estresse, qualquer um de nós está sujeito a sofrer uma agressão e a responder, imediatamente, com a violência. Sabemos que nem sempre seremos capazes de conter nossos impulsos e silenciar, por isso procuremos fugir das situações conflitantes (Rm 12, 17).

Jesus é bem claro quando nos diz que, se o irmão agir contra nós, precisamos corrigi-lo a sós, usando sempre da caridade fraterna. Caso este nos escute, teremos conquistado sua afeição (Mt 18, 15). Que esta prática nos conduza às obras de misericórdia espirituais, especialmente às que se relacionam com a correção e com o perdão das injúrias.

Estejamos sempre acompanhados de palavras que edifiquem o irmão. Que de nossas bocas não saiam expressões maliciosas, mas somente palavras capazes de edificar, de fazer o bem àqueles que a escutam (Ef 4, 29). Que não existam no meio de nós, expressões de duplo sentido, palavrões ou qualquer linguagem que estimule o pecado. Busquemos a pureza no falar e no agir (Mt 15, 11.18s). (Rm 12, 14).

Busquemos dar testemunho de vida em toda e qualquer circunstância. Somos livres em nossas escolhas e essa liberdade que nos é conferida por Deus, deve também nos conduzir a Ele. Tudo nos é permitido, mas nem tudo nos convém. Não podemos deixar que nada nos domine ou escravize (I Cor 6, 12). O bom senso reside em um simples questionamento: “E se São José ou Nossa Senhora estivessem em meu lugar, nesta situação, como se comportariam?” Encontraremos no discernimento, a escolha correta para cada momento da vida (o que fazer, o que vestir, para onde ir, com quem se relacionar, etc.).

Para evitar que as tentações tomem espaço, precisamos nos impor limites; sejamos disciplinados (I Cor 9 ,25-27). Busquemos na graça e não em nossas forças, o equilíbrio para atravessar os momentos de tribulação.  Lembremo-nos de que não somos heróis, queremos ser santos. Somente guiados por Deus, ainda que nos percamos em algum momento da caminhada, seremos reconduzidos para Casa. Ele começa aqui e se manifesta todas as vezes que nos abrimos para o amor de Deus. Que esse amor possa sempre começar no irmão(I Jo 4, 20s).

Como pais e mães para o mundo, devemos abençoar e consolar o irmão (Nm 6, 24-27). Que as palavras de benção possam sempre nos acompanhar, tornando-se uma graça habitual e constante de nosso cotidiano. Que a nossa vida fraterna seja uma obra plena de misericórdia. Renovemos, enfim, nossos propósitos pessoais e comunitários para melhor amar o Pai. Estejam as nossas ofertas reunidas no pensar, no olhar, no falar, no sentir e no agir. Tudo para a maior glória de Deus (I Cor 10, 31).

Bonifácio Vieira Neto

Fundador da Comunidade Católica Mãos de Pai