O som, ao contrário, deve sair suave, ainda que seja alto (agudo), sem forçar o gogó. Além disso, a voz deve soar, de preferência, a partir de uma ligeira elevação do volume. Também no final, deve-se tomar cuidado para não cortar a voz. Na maioria das vezes, o som é encerrado com um declive no volume, como se fosse sendo fechando o botão do volume. Entretanto, há casos em que o som é finalizado com um corte brusco, semelhante ao staccato. Não se pode é deixar a impressão que parou por falta de voz. Para isso, é fundamental uma boa respiração. Encha bem os pulmões e vá soltando o ar de acordo com o canto e sincronizando a resistência. Antes de puxar o novo oxigênio, expulse o anterior para caber mais.
Aposto que já viu essa cena antes; alguém vai cantar acompanhando o instrumento tocado por outro e fica naquele jogo de olho como que perguntando “É agora que eu entro?” Depois, ele começa a cantar tão apressado que enquanto o músico toca a estrofe ele já está cantando o refrão. Após uma bronca – e quem sabe, vaias – o vocalista dá uma maneirada exagerada e acaba demorando tanto que o cara do instrumento sai pra tomar uma água até ele sair do primeiro verso. É que esse elemento simplesmente não sabe o que é compasso. Não tem noção do tempo certo de cantar. De fato, isto não é raro e talvez você aí seja protagonista de episódios idênticos – ou melhor, era. Com um bom treinamento é possível liquidar esse problema. A chave do sucesso é atenção e um truque; usar sua bateria virtual. Para aprender a acompanhar o ritmo certinho, inicialmente o melhor é bater o pé, bater palmas ou estralar os dedos simulando a bateria. A batida do pedal da bateria é geralmente o som mais forte, seguida de toques nas caixas e tambores. De maneira igual se segue aqui. É muito difícil sair do ritmo assim, só que nem sempre é possível – e apresentável – fazer esses movimentos. Com o tempo, eles podem ser substituídos apenas por batidas imaginárias dentro da sua cabeça. Também conheço quem imite a bateria com a boca.
Você quer ser um cantor (cantora) ou um ator (atriz)? Que tal os dois? Pois saiba que uma das coisas mais vistosas num espetáculo ao vivo é a expressão, a forma de o cantor interpretar a letra fisicamente. Combina cantar “MEU BEM QUERER” de Djavan dando saltos no palco? Ou talvez dar risadas enquanto canta “GARÇOM” de Reginaldo Rossi? Dá pra imaginar uma cara triste do cantor durante a execução de um enredo de escola de samba? Claro que não. A feição deve combinar com o momento, a música em questão. Cuidado com o excesso nos gestos para não pegar mania. Por exemplo, Julio Iglesias canta apertando o estomago com a mão esquerda, José Rico, que faz dupla com Milionário, só emite agudos se imprensar o ouvido.
Independente da variação de tonalidade (grave ou agudo) o som deve, em geral, se submeter a uma regularidade no volume. Pegue a canção “CANTEIROS” de Fagner e mande qualquer pé-rapado cantar o primeiro verso e ele vai cantar “Quando penso em você, fecho os olhos de...” num certo volume e em “... saudaaaaaaades” ele vai se rasgar todo. É um erro alterar o volume em proporções acentuadas. Isto acontece justamente no momento mais desnecessário; nas notas mais altas. Se a tonalidade é aguda, menos força será requisitada. Em contrapartida, no tom mais grave, onde o som é naturalmente mais baixo, requer-se mais esforço da voz para equilibrar o volume.
Ainda tem gente nesse mundo que odeia microfones. Que estupidez! Realmente há diferença entre cantar ao ar livre e cantar ao microfone. No primeiro caso, você se livra de acidentalmente engolir o objeto e no segundo, você pode cantar ou falar suavemente e ser escutado por milhares de pessoas. Ao cantar ao microfone, mantenha a voz nos mesmos moldes como se estivesse sem ele. Não precisa alterar o volume. Quem tem o trabalho de amplificar sua voz é ele. Também, não ponha o microfone dentro da sua boca. Mantenha uma distancia razoável (meio palmo aproximadamente) e regular. Esteja certo ainda que a qualidade da sua voz ao microfone dependerá tanto do equipamento e seus ajustes quanto de você. Daí, a necessidade de um agente externo. É indispensável ter som de retorno para que também escute sua voz. Cuidado também com ruídos e sons indesejáveis. O som da respiração ou um mastigado da boca podem ser captados pelo microfone. Também podem ser flagrantes alguns sopapos provocados no ato de falar ou cantar silabas com “p” ou “t”. Ou ainda, chiados prolongados com o uso de “s” ou “ce”. |
| Pág. 1-2-3-4-5-6-7-8-9-10-11-------------------------------------------------------------------------------------10 |