Somos chamados a manifestar uma experiência fraterna, partindo do modelo de comunidade cristã mista, com consagração de vida para leigos católicos. Viver em Comunidade exige de nós um desprendimento e uma disponibilidade que ultrapassam a vontade idealizada de aglomerar pessoas. Vai muito além de um desejo de formar um grupo motivado por afinidades e por aptidões. Esta vivência não deve ser guiada por um sentimento superficial e sem radicalidade da vivência do Evangelho.

Somos comunidade porque em nós foi semeada a boa semente de um chamado comum à consagração a Deus (Mc 4, 8-20). Este chamado é como um fogo de amor que nos inflama, deixando ardentes nossos corações (Lc 24, 32), restaurando-nos o sentido para a vida. Por isso, esforcemo-nos por oferecer o melhor ao Senhor. Que esta oferta de amor seja não apenas pessoal, mas também comunitária. Temos a certeza de que Ele nos capacitará para agir na vida do outro, sendo a força que enche de ânimo a nossa caminhada para o cumprimento da missão.

Somos uma Comunidade de irmãos. Somos filhos de um mesmo Pai (I Jo 3, 2). Portanto, quem se assume filho de Deus, assume o outro como irmão; acolhendo as suas virtudes e os seus limites e suportando com paciência as suas fraquezas (Rm15, 3).

Como filhos de Deus, devemos promover o bem-estar no meio em que estamos inseridos (sociedade, trabalho e família), com generosidade, solidariedade e companheirismo. Manifestemos a verdadeira alegria proclamando ao mundo: "Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito, alegrai-vos!"
( Fl 4, 4).

Sejamos zelosos no trato, uns para com os outros: “Que o amor fraterno nos una uns aos outros, com terna afeição, rivalizando-vos em atenções recíprocas.” (Rm 12, 10). Busquemos cultivar relacionamentos maduros e equilibrados, em que não existam espaços para o desenvolvimento de carências afetivas, ciúmes, cobranças ou desordenações no modo de amar.

Viver em Comunidade não é uma tarefa simples. Conviver com as nossas misérias já nos custa
muito e suportar as misérias dos irmãos, é ainda mais difícil. Por isso, o nosso amor deve sempre constranger e nos fazer sair de si.

Que nossos amigos sejam antes de tudo, aqueles que buscam na intimidade com Jesus (Jo 15, 14-16) o amor primeiro (I Jo 4, 19). Nenhuma de nossas relações pessoais (família, amizades, namoro e casamento) devem nos roubar o lugar reservado ao amor de Deus (Lc 14, 26). Que Ele seja sempre o centro de nossas vidas; que Ele seja sempre o tudo em nossos corações.

Sejamos agradáveis. Nossa acolhida deve provocar no coração do irmão uma motivação nova; um “sentir-se em casa”. Estejamos sempre acompanhados de palavras que edifiquem o outro: “De vossa boca não saia nenhuma palavra maliciosa, mas somente palavras boas, capazes de edificar, de fazer o bem aos ouvintes.” (Ef 4, 29). Que não existam no meio de nós, expressões de duplo sentido, palavrões ou qualquer linguagem que estimule o pecado. Busquemos a pureza no falar e no agir: “O que torna alguém impuro não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca, isso é que o torna impuro. É do coração que saem as más intenções: homicídios, adultérios, imoralidade sexual, roubos, falsos testemunhos e calúnias.” (Mt 15, 11.18s).

Somos livres em nossas escolhas: “A mim tudo é permitido, mas nem tudo me convém. A mim tudo é permitido, mas não me deixarei dominar por coisa alguma” (I Cor 6, 12). O bom senso reside em um simples questionamento: “E se São José ou Nossa Senhora estivessem em meu lugar, nesta situação, como se comportariam?” Encontraremos no discernimento, a escolha correta (o que fazer, o que vestir, para onde ir, com quem se relacionar, etc.).

Para evitar que as tentações tomem espaço, precisamos nos impor limites; sejamos disciplinados. Busquemos na graça e não em nossas forças, o equilíbrio para atravessar os momentos de tribulação.  Lembremo-nos de que não somos heróis, queremos ser santos:

“Todo atleta se impõe todo tipo de disciplina. Eles assim procedem, para conseguirem uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível. Por isso, eu corro, não como às tontas. Eu luto, não como quem golpeia o ar. Trato duramente o meu corpo e o subjugo para não acontecer que, depois de ter proclamado a mensagem aos outros, eu mesmo seja reprovado.”
(I Cor 9 ,25-27).

 

 

continua